Quando um fablab instala uma estufa conectada controlada por estudantes que nunca haviam tocado em um microcontrolador, medimos a diferença entre um simples ateliê de bricolagem digital e um verdadeiro laboratório de inovação. D’clic Lab, situado em Manosque e animado pela associação Les Petits Débrouillards, ultrapassou esse marco em 2024 com projetos que vão além da descoberta da impressão 3D, visando a inserção profissional e a fabricação de objetos técnicos com impacto concreto.
Fabricação digital aplicada: da estufa conectada aos objetos técnicos
Os fablabs são frequentemente associados à produção de pequenos objetos decorativos ou protótipos sem futuro. O D’clic Lab direcionou seus ateliês para realizações funcionais, especialmente projetos de fabricação digital com impacto concreto. A estufa conectada, projetada por beneficiários do programa, combina sensores de umidade, placa Arduino e corte a laser para a estrutura.
Esse tipo de projeto obriga os participantes a encadear design assistido por computador, soldagem, programação e testes de campo. Saímos do tutorial reproduzível para entrar na resolução de problemas reais: adaptar um sensor a um ambiente externo, calibrar a irrigação automática de acordo com o clima local.
Os retornos variam nesse ponto, mas vários participantes relatam que a principal dificuldade não era técnica. Era aprender a documentar cada etapa para que a comunidade do lab pudesse reproduzir ou melhorar o dispositivo. Essa lógica de documentação aberta permanece como um dos pilares do funcionamento do D’clic Lab, fiel à carta dos fablabs internacionais.
Para acompanhar a evolução dessas realizações, as notícias do D’clic Lab detalham as etapas de cada projeto e os retornos da comunidade.

Formação digital e inserção profissional dos jovens
O aspecto de formação ganhou uma nova dimensão em 2024 com o programa “D-CLIC, Forme-se no digital com a OIF”. Patrocinado pela Organização Internacional da Francofonia, esse dispositivo vai além da simples sensibilização. O objetivo declarado: qualificar os jovens para o emprego ou o autoempreendedorismo digital.
O programa foi implantado em vários países da África francófona, com uma forte ancoragem local. Em Togo, uma cerimônia oficial realizada em setembro de 2026 permitiu a entrega de certificados de conclusão de formação a mais de 200 jovens beneficiários, confirmando a ascensão do dispositivo lançado em 2024.
Conteúdo dos percursos de formação D-CLIC
Os percursos não se limitam ao aprendizado de um software. Encontramos uma base estruturada em torno de competências operacionais:
- Domínio das ferramentas de criação digital (modelagem 3D, programação básica, uso de máquinas-ferramentas controladas por computador)
- Gestão de projeto aplicada: os aprendizes conduzem um projeto coletivo do início ao fim, da ideia ao protótipo funcional
- Apoio para o emprego ou a criação de atividade, com um componente de orientação profissional integrado ao currículo
Essa abordagem transforma o fablab em um trampolim para o emprego digital em vez de um espaço recreativo. A progressão do volume de jovens formados desde 2024 mostra que o modelo funciona além da fase piloto.
D’clic Lab como espaço pedagógico aberto em Manosque
Paralelamente aos programas internacionais, o lab de Manosque continua a funcionar como um ateliê de proximidade. Situado no centro antigo, acolhe públicos de todas as idades e níveis. A animação pelos Les Petits Débrouillards inscreve o local em uma cultura de mediação científica acessível.
Concretamente, encontramos máquinas-ferramentas controladas por computador (impressoras 3D, cortadoras a laser) e um acompanhamento humano que faz a diferença. A troca recíproca entre os membros continua sendo o motor do lugar: um aposentado que domina a eletrônica ajuda um estudante do ensino fundamental em seu circuito, enquanto um estudante de design ensina o grupo sobre modelagem.

Projetos educativos com colégios e escolas
D’clic Lab também atua em ambiente escolar. Os ateliês propostos aos colégios e escolas do território permitem que os alunos descubram a cultura científica e digital pela prática. Não se trata de uma demonstração passiva diante de uma tela, mas de sessões onde cada aluno manipula, programa e fabrica.
Essas intervenções pedagógicas se integram aos programas de educação científica. Elas atendem a uma necessidade concreta dos professores que nem sempre têm acesso a materiais de fabricação digital em suas instituições.
Inovações D’clic Lab: o que muda em 2024
Várias evoluções distinguem o ano de 2024 dos anteriores para o D’clic Lab:
- A transição da iniciação pura para formações qualificantes que levam ao emprego, com um quadro estruturado pela OIF
- A multiplicação de projetos técnicos de uso real (estufas conectadas, objetos de reposição, próteses), que superam o estágio de gadgets
- A extensão geográfica do modelo D-CLIC para a África francófona, com resultados mensuráveis em número de beneficiários formados
- O fortalecimento do vínculo entre recursos digitais e inserção profissional, particularmente para os jovens afastados do emprego
Essas orientações mostram um fablab que não se contenta mais em abrir suas portas. Ele estrutura percursos, mede seus resultados e adapta sua oferta às necessidades do terreno.
O modelo promovido pelo D’clic Lab em 2024 confirma que um fablab associativo pode desempenhar um papel de formação profissional credível, desde que supere a lógica de um simples espaço de descoberta. O próximo passo será ver se os beneficiários desses percursos conseguem acessar de forma duradoura o emprego digital, único indicador que validará a promessa inicial do dispositivo.



